Destaque
Sol Garcia
8 Setembro, às 21h30
MECHITA é uma peça interdisciplinar, em que seis mulheres partilham um palco espelho. A partir da memória/arquivo vivo, falam de liberdade, do feminino, do limiar da singularidade do sonho e da colectividade do real. É nessa arena espelhada que podemos observar a celebração do ser menina/mulher, da voz, de um corpo coral. Um acto de resistência contra o esquecimento.
Ana de Oliveira e Silva e Dinis Duarte
10 Setembro, às 19h30
Num laboratório, forma-se uma nova ordem, onde o altruísmo é lei biológica. Este sistema é
guiado por regras simples e rígidas. Não há competição nem ambição, apenas função e
repetição. Cada corpo age para servir algo maior do que o próprio. O stress é visto como
avaria — uma ameaça ao funcionamento coletivo. Quem perde o ritmo não é castigado:
simplesmente deixa de fazer parte do ciclo. A performance existe dentro deste laboratório
vivo, onde o corpo é ferramenta e matéria. O movimento nasce da repetição e da
necessidade de manter o fluxo contínuo. Cada gesto tem um propósito. Cada ação deixa
um rasto. Entre o controlo e a falha, este espaço vivo tenta organizar-se, mesmo quando a
própria organização ameaça ruir.
Companhia Maior e Victor Hugo Pontes
26 Setembro, às 21h30
A esta hora, na infância neva*
Nesta criação com a Companhia Maior, Victor Hugo Pontes segue uma via eminentemente física, inspirado pelo potencial do corpo que já viveu muito tempo – um contraponto com a sua experiência prévia de trabalhar com adolescentes. Se na pujança da juventude interfere a falta de experiência e autodomínio, na idade maior as limitações são resolvidas com a experiência de palco. Que idiossincrasias se fazem anunciar na fisicalidade destes intérpretes que têm um longo percurso gravado no corpo? Para esta pergunta, Victor Hugo Pontes propôs-se encontrar uma afirmação coreográfica.
Em cena, corpos de diferentes idades sobrepõem-se para evidenciar o contraste, por um lado, mas também para elogiar a beleza do físico amadurecido: um corpo na dança que perdeu força e velocidade mas que comporta memória existencial e ganhou definição e intenção. As gerações mais novas criam um espelho que nos permite reflectir sobre o que ainda somos, daquilo que fomos... um gatilho do passado, para o futuro em aberto, num presente onde, como escreveu Manuel António Pina, “as cicatrizes do coração permanecem”**, em que o esquecimento é também sabedoria e a infância reaparece, refinada.
[* e **] “A esta hora, na infância neva”, poema de Manuel António Pina em Cuidados Intensivos, 1994.
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